A cirurgia plástica, como toda cirurgia, tem também seus riscos que devem ser levados em conta antes da decisão pelo procedimento. Você para no espelho e pensa nas pequenas (ou grandes) mudanças que gostaria de fazer em seu corpo? Tirar uma gordurinha aqui, colocar um silicone ali, mexer um pouco no nariz ou consertar alguma região do corpo com a qual você não esteja satisfeito?

Muitas vezes a cirurgia plástica pode ser mais do que uma vaidade, pois ela também corrige deformidades que podem afectar, inclusive, a saúde e o bem-estar. Mas, além de pensar nas mudanças, quem pensa em fazer plástica deve pensar também nos riscos que envolvem uma cirurgia plástico.

Cada vez mais os brasileiros e os portugueses recorrem à cirurgia plástica e estética. Só que apesar dos avanços da medicina, estas não devem ser tratadas como um procedimento corriqueiro. Esse tipo de tratamento pode acarretar em hemorragias, infecção hospitalar, embolia pulmonar, trombose, choques anafiláticos, entre outras complicações.

Existe também o risco estético, que ocorre quando a intervenção cirúrgica não é bem sucedida (por erro médico oureação do seu próprio corpo) e em vez de ficar mais bonito, seu corpo ganha uma cicatriz ou outra deformidade. Não há como prever se uma cirurgia será acertada ou não, mas cabe ao paciente uma parcela significativa desse sucesso.

É grande a diversidade de cirurgias plásticas que se estão a tornar mais simples e populares. Existem as cirurgias plásicas reparadoras e reconstrutivas, que visam reparar deficiências que comprometam saúde, e a cirurgia plástica estética, que visa melhorar a aparência e autoestima. Desde a década de 50 o Brasil está se tornando referência nesse ramo, com médicos e técnicas mundialmente reconhecidas. No Brasil são realizadas cerca de 629 mil cirurgias plásticas por ano segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). As cirurgias plásticas e estéticas correspondem a 73%, enquanto as reparadoras correspondem a 27% do total. As cirurgias plásticas mais populares são a mamoplastia de aumento, o facelift, a lipoaspiração e a abdominoplastia.

Você também tem sua parcela de responsabilidade nos riscos e no resultado da sua cirurgia plástica. Você deve entender os riscos, se precaver, nunca mentir para o seu médico e seguir à risca as instruções do pré e do pós-operatório.

A precaução começa com a escolha do médico ou cirurgião plástico. Caso seja recomendado por alguém, verifique se o profissional é credenciado no Conselho Federal de Medicina e membro daSBCP . Cheque ainda se não há processos na Justiça por erros médicos contra ele. O anestesista é também peça fundamental, mas geralmente o paciente só o conhece no momento da cirurgia plástica. Assim como é recomendado ser feito em relação aos cirurgiões plásticos, conhecer o histórico desse médico é importante porque é ele que irá controlar a pressão arterial, pulso, ritmo cardíaco, respiração, temperatura e outras funções orgânicas durante a cirurgia plástica. Conheça as instalações da clínica de cirurgia plástica. Ela precisa ter uma infraestrutura capaz para monitorar as funções básicas no paciente, como para atender a emergências, caso elas ocorram. Se você puder optar por realizar o procedimento em um hospital, poderá estar mais bem assessorado no caso de algum problema durante a cirurgia plástica.

Para os fumantes, o risco é ainda mais alto. A nicotina pode comprometer o resultado da cirurgia plástica e deixar cicatrizes escuras e altas, osquelóides. O processo de cicatrização requer um bom funcionamento da circulação sanguínea, o que é comprometido em pacientes fumantes. O cigarro concentra 4 mil substâncias tóxicas e, por interferir na cicatrização, os médicos pedem que pacientes fumantes deixem o cigarro por pelo menos um mês antes da cirurgia plástica. Além disso, fumantes tendem a tossir mais, ato que pode gerar dor e fazer abrir os pontos.

Em procedimentos cirúrgicos invasivos como na cirurgia plástica, o risco de uma infecção está sempre presente. A lipoaspiração e os preenchimentos (injeção de substâncias para atenuar rugas da pele) figuram como principais fontes de infecção, devido aos instrumentos cirúrgicos utilizados, como cânulas (tubos) e agulhas mal esterilizadas. Instrumentos contaminados por bactérias podem causar feridas, nódulos e necrose. O glutaraldeído é utilizado na lavagem desses instrumentos, mas sabe-se que algumas bactérias são resistentes a essa substância e a melhor forma de se esterilizar um instrumento cirúrgico é pelas autoclaves, aparelhos que usam vapor, alta pressão e alta temperatura.

A vigilância sanitária pode fornecer informações sobre registros de contaminação de hospitais e clínicas. Além de procurar o órgão, é interessante uma conversa sincera com o médico sobre como é feita a limpeza dos instrumentos cirúrgicos, assim como a abertura dos materiais descartáveis na frente do paciente. Nessa conversa, tire todas as suas dúvidas, seja sincero nos dados a serem fornecidos e siga as recomendações médicas.

Antes da Cirurgia Plástica

  • Realize todos os exames solicitados. Cada cirurgia irá exigir um tipo de exame, mas geralmente são eles: contagem sanguínea (detecta anemia), análise bioquímica do sangue,eletrocardiograma, radiografia do tórax, teste de gravidez e mamografia.
  • Pare de fumar pelo menos um mês antes.
  • Todo medicamento utilizado deve ser comunicado ao médico e interrompido is dias antes da cirurgia, com exceção de remédios para hipertensão, diabetes ou outro tipo de doença.
  • Interrompa o uso de medicamentos naturais como Ginkgo biloba, arnica, ginseng e vitaminas, que são anticoagulantes e podem provocar hemorragias.
  • Analgésicos que contenham ácido acetilsalicílico (AAS) e fórmulas para emagrecer também devem ser interrompidos.

Depois da Cirurgia Plástica

  • Tome vitamina C. Ajuda na produção de colágeno, substância que auxilia a pele a manter-se unida durante o processo de cura.
  • Esqueça o cigarro, ele só atrapalha na cicatrização.
  • Evite o consumo de alimentos salgadas ou picantes até uma semana após a cirurgia.
  • Não carregue peso nos primeiros dias.
  • Fuja do sol e de locais quentes, com vento ou friagem, nos primeiros 30 dias.
  • Banhos: tente não molhar os curativos nos sete primeiros dias.
  • Não ingira álcool. Ele reduz a capacidade de coagulação sanguínea e aumenta o risco de sangramentos.
  • Não use maquiagem, cremes ou loções sobre a área operada. Utilize somente produtos indicados por seu médico.
  • Caso perceba algo estranho ou diferente, procure logo o seu cirurgião.

Problemas na Cirurgia Plástica

Se você tomou todos os cuidados e seguiu as orientações. Ainda assim, a sua cirurgia plástica teve complicações ou não correspondeu às expectativas? Ou, pior, o que antes era “normal”, agora pode ser considerado uma deformidade? O que fazer nesses casos?

O erro médico pode acontecer de três formas: por imperícia, seja por despreparo ou por falta de conhecimento; por imprudência, através de uma ação ou omissão por parte do médico; ou, no pior dos casos, por negligência. Numa cirurgia plástica reconstrutiva para a correção de um defeito, não há como garantir um resultado que elimine por completo a deformidade, mas nas cirurgias plásticas estéticas é diferente, é desejável que o resultado saia de acordo com o esperado. Se a sua operação deu errado ou deixou alguma lesão não esperada, procure uma delegacia e faça um boletim de ocorrência. De acordo com o Código Civil, o paciente tem até três anos para entrar com uma ação contra o médico. Como segurança, guarde todos os exames e documentos (recibos e receitas médicas).

Espero que este artigo lhe tenha tirado as dúvidas sobre cirurgias plásticas ou sobre a cirurgia plástica que quer fazer. Caso tenha mais dúvidas pode consultar os nossos específicos sobre cada cirurgia plástica.